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Estando atualmente a palavra liderança tão gasta e regasta pelo uso, corremos o risco de esquecer uma constatação que, de tão óbvia e apriorística, poderá facilmente ser ignorada: para se ser líder é conveniente que se queira – efetivamente – sê-lo.

Ao longo do meu percurso enquanto executive coach e mentora, tenho acompanhado vários líderes e profissionais em fase de transição de competências essencialmente técnicas para competências de liderança.

Frequentemente, na esfera organizacional, tenho constatado que a passagem para posições e funções de liderança é considerada um passo natural e orgânico nos planos de carreira dos trabalhadores. Nesse sentido, nem sempre o assumir destas novas responsabilidades é questionado devidamente pelos próprios, pelos responsáveis pela gestão de pessoas e/ou pelas outras lideranças. É assim, porque sim.

E se um colaborador não quiser tornar-se líder, tal é normal e aceitável no mundo das organizações? ou, pelo contrário, deverá calar e omitir esta inclinação, esforçando-se ao máximo por abraçar o que, por vezes, parece constituir a inevitabilidade do passo seguinte?

Liderança: um caminho das pedras?

Eu tenho de ser líder ou escolho ser líder?

Convenhamos, ser líder, assumir a responsabilidade pelos outros, é algo que implica fazer das tripas coração. Passado o glamour inicial, muito rapidamente nos apercebemos que, raras vezes, existe uma missão de maior serviço, que nunca agrada a todos e que nem sempre nos torna populares pelas razões que gostaríamos. Já para não falar da solidão tantas vezes sentida.

Algo que tenho constatado, é que independentemente de se ter a característica A ou B, o estilo de liderança X ou Y, muitas vezes o verdadeiro fator diferencial para se levar a cabo a missão de liderar é querer, efetivamente, ser líder. E querer muito. Caso contrário, poderá não valer a pena o esforço. Posso ser um bom técnico, por exemplo, e o meu objetivo ser manter e aprofundar as competências técnicas, contribuindo saudavelmente para os objetivos da organização.

Tal não quer dizer que não exista uma fase inicial de experimentação, com vista a perceber, através de um caminho de autoconhecimento e partilha, se a liderança é o caminho adequado. E atenção, com isto não afirmo que o querer seja sempre fruto de uma sensação prazerosa e imutável. Muitas vezes é um sentido que vamos construindo, com avanços e recuos, com base no que vamos vivenciando.

As competências de um bom líder

Se, ultrapassada, a decisão do querer somos melhores ou piores nas funções de liderança, isso já são “outros quinhentos”.

Desafio, frequentemente, os líderes que acompanho a refletirem sobre quais são as características/competências de um bom líder na sua própria opinião. É interessante verificar que as respostas são todas diferentes de pessoa para pessoa. O objetivo deste exercício é, posteriormente, debruçar-se sobre si mesmo, fazendo uma avaliação das competências que o trabalhador sente que estão ok e suficientemente trabalhadas e aquelas que carecem de ser desenvolvidas.

Por outras palavras, existem tantas versões de líderes ideais quanto pessoas.

Claro, muitas vezes podemos encontrar tendências, como uma liderança mais humanizada, por exemplo. Hoje, privilegiamos muito competências como a empatia e a comunicação (as human skills a que faz referência Simon Sinek ao defender que considera o termo soft skills como inadequado).

Programas de Liderança: um caminho para escolher liderar

A liderança não deve ser encarada como uma obrigação ou um passo automático na carreira, mas como uma escolha consciente e refletida. Um programa de liderança pode ser uma ferramenta poderosa para apoiar essa decisão, oferecendo:

  1. Clareza sobre o papel do líder: compreender o que significa, na prática, ser líder. Desde as responsabilidades até os desafios, um programa de liderança ajuda a construir uma visão realista da função.
  2. Autoconhecimento e propósito: estes programas incentivam a autoexploração, permitindo que cada pessoa descubra se ser líder está alinhado com seus valores, ambições e propósito de vida.
  3. Desenvolvimento gradual de competências: participar de um programa pode facilitar o desenvolvimento de competências como a empatia, comunicação e tomada de decisão, elementos essenciais para quem procura, por exemplo, uma liderança mais humanizada.

Com efeito, um programa de liderança não só capacita, mas também inspira a responder à pergunta essencial: eu quero mesmo ser líder? É um espaço de reflexão e crescimento com vista a alcançar decisões claras e bem fundamentadas, alinhadas com a organização de pertença.

 

Saiba mais sobre os programas de liderança aqui: https://inesraposo.pt/programas-de-lideranca/

 

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